9 - Coexistência de instituições
públicas e privadas de ensino
Como sabemos, o estado brasileiro tem a
dimensão de um verdadeiro continente, tanto no que diz respeito a sua extensão quanto a seu contingente populacional.
Não é impossível, mas extremamente
difícil, o estado arcar sozinho com a educação no país. Neste ponto, merece destaque
a importância das escolas privadas que assumem o papel do estado na
responsabilidade pela educação. Seu número é relevante, sobretudo nas grandes
cidades e elas estão embasadas no princípio anterior que admite a pluralidade
de concepções pedagógicas e a liberdade de ensinar.
A problemática que se apresenta com
relação a essas escolas privadas tem a ver com a desigualdade econômica e
social de nossa sociedade, onde há indivíduos que não têm opção de escolha
entre as instituições públicas e privadas, como já se disse acima, por serem
parcos os recursos próprios que não permitem às famílias arcar com as despesas
inerentes ao ensino privado.
Presentemente, já vêm sendo
desenvolvidas políticas públicas tentando remover esse empecilho material, como,
por exemplo, o sistema de cotas nas universidades e as bolsas de estudo do
Prouni. Mas são políticas afirmativas
que contemplam na maioria das vezes o ensino superior.
Embora o Brasil esteja com quase toda população já cursando as etapas iniciais do ensino
básico, um percentual significativo não consegue vencer o Ensino Médio.
Não há planos para estímulo à
matrícula no Ensino Médio, pois são eles de caráter social; é nessa faixa de
idade em que deveriam estar cursando esse nível que os alunos partem em busca
de empregos para não ouvirem, no mínimo, dos pais, “ não quererem vagabundos em
casa”, e “vá trabalhar para ter seu dinheiro próprio
porque o nosso não chega para sustentar marmanjos”. E observe-se que essas
frases não são privilégio das classes menos abastadas, sendo ouvidas no
interior de lares de classe média, também, sobretudo se os jovens apresentam
dificuldades na aprendizagem e não conseguem passar de ano ou concluir a etapa.
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