sábado, 3 de março de 2012

Princípios a serem observados na oferta w desenvolvimento do ensino

 2 - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte, e o saber.

        Não restam dúvidas de que há liberdade de escolha do conhecimento que o brasileiro quer construir/aprender. Porém, muitas vezes, não basta seu desejo, devendo haver condições propícias para o cidadão recolhê-lo e decidir sobre seu destino e aplicação ou sobre a carreira mais condizente com o conhecimento construído, suas preferências, possibilidades e habilidades.

       Está também garantida  aos alunos e professores a liberdade de divulgar o pensamento e o saber. Mas essa liberdade não assegura a aprendizagem ao aluno, sobretudo, o da educação básica. Mesmo as ações que dependem em parte de sua vontade ou de suas necessidades, elas corresponderão a um movimento inverso ao que rege os procedimentos de ensinar e divulgar o pensamento e o saber,pois estas presumem a ação de terceiros.

         Haverá sempre a necessidade de alguém responsável por sua orientação nessa etapa.Aí ressalta a importância da qualificação do professor podendo se fazer uso da  internet que se tornou um grande apoio à aprendizagem e ao professor, favorecendo as escolhas dos alunos e abrindo um campo enorme de consulta, sobre qualquer tema. 

        Liberdade pressupõe diversidade, que por sua vez prenuncia princípios de uma certa autonomia no  país, com reflexos em todos os campos, inclusive na educação.

       À época da Constituição, com a reviravolta acontecida no mundo devido ao progresso tecnológico, às idéias que se seguiram  sobre o neo-liberalismo , às consequências do extenso processo de globalização e à  abertura política havida no Brasil, a educação impregnou-se  de certas características pragmáticas, rendendo-se  perigosamente à produtividade e as regras do mercado do trabalho.

        Hoje em dia, passado esse momento dominado por certas utopias, não mais cabem restrições de qualquer ordem: à filosofia desenvolvida pelas escolas de todo e qualquer nível, natureza e crença, a seus princípios ideológicos, aos conteúdos que queiram sejam assimilados pelos alunos,aos livros e bibliotecas a serem consultadas, às opções organizativas e estruturais escolhidas pelos gestores,  bem como às metodologias desenvolvidas e aplicadas pelos professores.

       No presente, já se pode afirmar com convicção que a riqueza consequente do pluralismo anunciado e proclamado deu asas realmente à grande expansão da diversidade e da liberdade.

              Também os responsáveis pela divulgação do conhecimento, que podem ser os professores, os autores de livros e seus escritos, a imprensa falada,escrita e virtual, devem ter cuidado com a excelência do seu trabalho, observando a ética, a correção de seus textos,a fidelidade ao real, o verdadeiro conhecimento do que abordam etc.

            A própria lei e os documentos complementares e regulamentadores que vêm a ela se sucedendo  tratam de apresentar, de modo claro, os limites naturais dessa liberdade, esclarecendo em que condições e em que grau pode ou poderá ela ser exercida. Tais mecanismos são inerentes aos próprios princípios da democracia que entende a liberdade/autonomia professadas de forma criteriosa. E sua escolha não poderá desconsiderar  a formação dos jovens para cidadania, para o trabalho e a realidade do mercado do trabalho .

        No que tange à cultura e à arte, a liberdade é de grande valia porque favorece e instiga fortemente a apreciação e o desenvolvimento do gosto e dos possíveis talentos entre os alunos.O professor e os membros da sociedade têm importante papel em sua formação nesses campos.

        A educação escolar, por seu lado,através do ensino, propaga, primordialmente, pensamento e saber.

        Não é menor aqui a responsabilidade dos agentes citados eis que deve ser incessante sua luta por uma maior independência dos educandos, no sentido de desenvolver-lhes o espírito crítico e  a criatividade.

        “ Os professores não deveriam estar defasados em função dessas novas possibilidades para uma renovação do “projeto pedagógico” devendo se adequar às novas condições: decisão política ,(...) formação de uma rede de formadores, visão do professor como produtor e consumidor do conhecimento, ou seja, integrando uma rede de pesquisa e comunicação.”( Almeida, 2003)

      Os atuais trabalhadores não possuem uma formação massificada,  coerente com o modelo produtivo anteriormente vigente, continua a autora” Valoriza-se, agora, o trabalhador polivalente, capaz de atuar em equipe (em rede), de estar disponível para atuar em diversos setores, de até mesmo viajar ou trabalhar conectado em uma rede de comunicação como as nets virtuais.”

     À educação tem pois a responsabilidade de preparar um trabalhador capaz de se defrontar com o imprevisível e de inovar, adaptando-se às novas situações

     Cabe dizer ainda que o princípio anunciado está sendo, de certa forma, bem atendido e  em evolução constante, exceto o setor de pesquisas  nos cursos superiores  que não vem crescendo como seria desejável.

      Há necessidade de maiores recursos do governo que permitam mais iniciativas das Universidades, sobretudo nas áreas da saúde e da ciência e tecnologia e que prendam pesquisadores brasileiros ao país, evitando sua exportação,  estimulando-os a ir em busca de inovações na área,pois a nação que sempre depender de sua importação descerá no ranking mundial.

       Esta preocupação deve ser apresentada aos alunos  da educação básica de forma a influir positivamente em sua escolha de conhecimentos e na atuação do professor.

Princípios a serem observados no desenvolvimento do ensino



          3 - Pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas.



          O princípio, como outros, está presente nos dispositivos constitucionais.

          No campo educacional, vasta é a literatura concernente ao pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. A matéria vem sendo permanentemente abordada por professores e pedagogos com base em teorias surgidas, desenvolvidas e comprovadas por , educadores,sociólogos e psicólogos que têm emprestado rica contribuição ao campo educacional.

         Diante disso, vale lembrar a relevância da atualização constante do professor, que precisa estar sempre refletindo e revendo suas concepções e se atualizando quanto às novas teorias, tornando sua  praxis realmente atualizada, responsável e efetiva. À escola e aos órgãos da educação cabem iniciativas neste sentido.

         Acentua-se, evidentemente, a necessária interligação entre o ensino superior desenvolvido nas universidades e os demais níveis de ensino. O próprio estado deve propiciar esse entrosamento e cuidar, sobretudo, para que a universidade possa cumprir seu papel primeiro, de construtora e divulgadora do conhecimento elaborado.      

O setor educacional, diante do grande número de analfabetos, inclusive funcionais, das crianças e jovens que ainda estão fora da escola e dos maus resultados dos alunos nas avaliações previstas na Constituição, apesar dos estudos existentes, ainda não chegou a conclusões sobre quais concepções pedagógicas devem prevalecer,ou se devem elas se interligarem, nem quais seriam as melhores, mais produtivas e efetivas.

 É claro que cada sistema poderá adotar as que mais lhe convenham e que estejam em conformidade com a ideologia da escola. Citamos como exemplos: a implantação mais forte do ensino a distância, que, se desenvolvido de forma séria e incorruptível, poderia trazer muitos benefícios diante da enorme clientela que dele se beneficiaria, com os recursos tecnológicos atuais; a escola sem séries ou estruturada em níveis; as vantagens e desvantagens da escola organizada em ciclos que exige, é claro, preparação específica do professor; as alterações necessárias dos  currículos dos cursos, principalmente, os de  formação de professores,  que não conseguem acompanhar a evolução rápida da tecnologia e também para que sempre busquem a qualidade de seu ensino; a aplicação mais planejada da informática na educação; os novos conhecimentos surgidos com o progresso tecnológico que induzem à aplicação de novas metodologias;a força da  escola realmente inclusiva; as experimentações com escolas bilingues e com currículos diversificados e mais leves; e a real contextualização das experiências escolares de forma que permitam a conservação e confirmação da identidade do aluno e a modernização de suas concepções.

        Com relação à organização em ciclos, deve-se lembrar que a progressão continuada, tão discutida no Brasil inteiro, elogiada por uns e criticada por outros, foi adotada no século passado por Paulo Freire, quando Secretário de Educação na prefeitura de São Paulo. Aliás, é uma metodologia que já foi empregada no Brasil desde o início do século XX  1918)

Sua idéia era que repetir o ano seria sujeitar o aluno à vergonha de ficar um ano atrás de seus colegas de turma. Pesquisas mostram que o aluno que passa pela repetência tende a repetir a situação de fracasso nos próximos anos de vida escolar.

Porém da experiência de Paulo Freire em São Paulo até a "aprovação automática" há uma grande diferença. A progressão continuada não pode ser a simples promoção do aluno de uma série à outra. Entre um ciclo  e outro existe, pelo menos um ano escolar. Neste ano as escolas precisam  adotar estratégias e projetos pedagógicos eficientes para reforço da aprendizagem

Matheus Prado (2011) afirma que é da confusão de Projetos Pedagógicos com as chamadas Grades Curriculares que decorrem essas distorções.

          ”Ao invés de estabelecerem estratégias, além de implantá-las e avaliá-las, para a formação de alunos cidadãos, capazes de intervir na sociedade e com 'fome' de conhecimento, os governos tendem a definir a quantidade de conteúdos que devem ser depositados nos alunos. A educação bancária, na qual ao aluno só cabe escutar e decorar,   é  mantida. Aqueles que costumamos achar que obtêm mais sucesso escolar conseguem lembrar dos conteúdos até  dia do vestibular. E só”

A progressão continuada,  continua Prado, para apresentar resultados positivos exige uma série de estratégias pedagógicas. Os alunos, todos, não só os que apresentam dificuldades, precisam experimentar intervenções psico-pedagógicas constantes, a cada dia. Eles, professores, pais e dirigentes necessitam bem compreendê-las. A escola, mais do que qualquer outro setor da sociedade, tem como obrigação entendê-las bem como observar as características individuais do alunado. Devem ser consideradas e levadas a sério, portanto, as diferenças existentes entre as capacidades de aprendizagem de cada aluno e as diversas experiências.O contexto em que vive o aluno deve sempre estar focado.

Certos cuidados são necessários para melhor sucesso da estratégia, alerta o articulista (Internet):

          1- A organização da escola não deve se estruturar em torno dos melhores alunos, os bem sucedidos. Os demais, não preparados, com baixos resultados, não devem permanecer marginalizados.

           2- A escola valoriza apenas um tipo de inteligência, desconsiderando todas as demais. Os conteúdos da “grade escolar” vêm antes, são mais importantes que  a inteligência especial, emocional ou a capacidade de resolver problemas práticos e cotidianos.

 3-. Por último, e talvez de forma mais grave, as escolas ainda avaliam os alunos, não levando em conta as diversidades. Todos os alunos não são iguais em termos cognitivos,físicos e emocionais.

 A melhor forma de avaliação é aquela que considera o ponto onde o aluno estava e onde ele chegou no transcurso de um período de aprendizagem. Um aluno com nota 8 durante toda a vida escolar pode ter nota maior, mas não agregou mais em seu processo pedagógico do que outro que tinha 3,  passou para 4 e chegou a sete.

”O problema real está no que se faz entre os ciclos programados. Nossa escola, não está preparada para receber alunos que não atendem às expectativas do "programa" e da "grade curricular" comuns a todos.

Programas e as estratégias pedagógicas devem variar para atraí-los.

          Mesmo com toda a dedicação e esforço dos professores, podemos dizer que muito pouco do que se faz na escola tem a ver com educação e com a realidade dos alunos. Os vestibulares e os vestibulinhos acabaram incentivando as escolas a agirem dessa forma: uma  grande quantidade de conteúdos que não servem para nada e que serão, em sua maioria, e rapidamente esquecidos pelos alunos.  Provavelmente, alguns de nossos reitores e professores das universidades públicas não passariam no vestibular hoje, porque aí é cobrado muito conhecimento que se pode chamar de descartável, daqueles que você aprende para entrar na universidade e nunca mais lembra ou emprega.

        Porém, é preciso concordar que as questões dessas provas vem tendo uma excelente evolução, exigindo menos “ decoreba” e mais reflexão. Mas ainda se apresentam cheias de vícios.

         A iniciativa de fazer uma avaliação semestral e centralizada de todos os alunos da rede públicas até pode indicar para as escolas e secretarias de educação aqueles que mais precisam de acompanhamento. Será um avanço, desde que a educação adote a perspectiva de que nas avaliações é preciso considerar onde o aluno estava e onde ele chegou, tendo um programa que valorize as várias inteligências e talentos e que sua "grade curricular" defina um conjunto de conteúdos mínimos condizentes com as necessidades de nossos alunos, com o mundo moderno e com a vida em sociedade. Esse conteúdo deve ser útil ao aluno bem como estar em seu contexto de vida

Regina de Assis, ex-Secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro, em entrevista dada à Folha de São Paulo, defendeu a idéia de que o sistema de ciclos deve ser adotado permanentemente por escolas públicas e particulares, principalmente nos primeiros anos do ensino fundamental. Especialmente no início da vida escolar, durante os cinco primeiros anos do fundamental.

“Nessa fase, o processo de leitura, escrita e cálculo, além das    outras áreas do conhecimento, está numa fase crucial, que depende da      compreensão   mais   abstrata de conceitos e   que   pode   exigir   um tempo variável para a sua consolidação. Sou favorável
à política de ciclos de maneira permanente, desde que planejada, introduzida, desenvolvida e avaliada responsavelmente e com eficiência, para garantir os direitos dos estudantes de aprender e dos professores de ensinar com sucesso”. (janeiro de 2011)

         O cerne dos problemas enfrentados pela progressão continuada não está na estrutura em ciclos nem na aprovação dos alunos, comenta Hélio Shwartsman, articulista da Folha de São Paulo:

         “No papel, o sistema faz sentido. Se há algo de estranho no mundo da pedagogia, ele está na noção de reprovação. Com a redução da reprovação possibilitada pelos ciclos, caiu o índice de Evasão Escolar no Ensino Fundamental... É muito mais razoável, como prevê a
teoria da progressão continuada, que a Escola identifique tão rapidamente quanto possível os alunos que não estão assimilando os conteúdos e
procure corrigir a situação”.

A implantação do sistema de ciclos necessita sempre ser planejada junto com os professores, que devem estar preparados para assim trabalhar e conhecer suas vantagens. É urgente que pais e professores entendam por que se quer evitar a reprovação, que não pode se constituir em ferramenta disciplinar.
Na prática, lamentavelmente,a progressão virou uma aprovação automática que, embora não explique as deficiências do ensino, ajuda a perenizá-las.