segunda-feira, 12 de março de 2012

Princípios a serem observados na oferta e desenvolvimento do ensino


12 -  Respeito à liberdade e apreço à tolerância



           Este princípio presume a máxima reflexão por parte dos educadores.

            Completando-se a redação, poder-se-ia reescrevê-lo dessa forma: respeito à liberdade que deve ser atribuída ao aluno e apreço à tolerância para com o aluno e suas debilidades. Isto porque o educando há de estar sempre no centro do processo educativo, cabendo ao educador ouvi-lo atentamente com paciência, desculpando-lhe as falhas, mesmo dele discordando, no momento em que expõe generalidades ou particularidades de   sua bagagem cultural, de seu meio social, aí incluindo sua família, suas idéias, opiniões e opções, seu pensamento com relação ao mundo exterior e suas dificuldades e problemas.

           É certo que liberdade e tolerância são princípios que em outras situações que não a abordada, tornam-se perigosos, sobretudo quando se trata de escola. Mas seus níveis de extensão na instituição escolar não diferem dos adotados pela sociedade como um todo.

      É, portanto, um princípio ético que deve ser levado em conta em todas as situações em que grupos se encontrem. E o aluno deve ser orientado no sentido de cultivá-las, respeitando os demais atores envolvidos.

        Todos devem estar cientes da liberdade que gozam seus colegas e professores e que a tolerância mútua é  única forma de se estabelecer um positivo e harmonioso entendimento entre as pessoas.


Princípios a serem observados na oferta e desenvolvimento do ensino


11 -  Vinculação entre educação escolar, trabalho

                 e as práticas  sociais



            Atualmente, com os avanços tecnológicos que influenciam todas as áreas de conhecimento,transformando-o devido às inovações introduzidas, a educação escolar deve acompanhar todas as mudanças que vem sofrendo a área do trabalho e  conseqüentes  práticas sociais, sob pena de continuar defasada do que há de novo no mundo moderno, não podendo bem orientar os educandos.

            De certa forma, eles devem ser educados com foco não só na atualidade, mas também no futuro, antecipando a época em que ele realizar-se-á como cidadão. Está surgindo um número incomensurável de novas profissões que devem ser bem explicadas aos alunos, se é que isso já é possível ,para que não se surpreendam e se preparem para as novas exigências em termos não só de conhecimentos,como também de habilidades. Há que se desenvolver a criatividade do educando, pois,conhecimento, habilidade e criatividade serão as qualidades a serem exigidas do futuro profissional.

            Percorrer-se-á um longo caminho durante o qual a sabedoria do professor será quase sempre deficiente visto as constantes mudanças que aportam os progressos tecnológicos.Ele terá que se aliar aos alunos, ouvindo como eles as vêm entendendo, bem como conseguem fazer a interligação de suas propostas de vida com esse mundo novo que está surgindo.Esta ação deverá ser efetuada com muita paciência e flexibilidade, para que se permita uma análise imparcial dos progressos dos alunos, trazendo assim efeitos positivos.

             Como já foi dito, é sempre de suma importância que se ouça o aluno, pois só assim  poder-se-á  acompanhar o estágio no qual se acha com respeito às ligações do trabalho e com o mundo moderno. Sua auto-avaliação também o conduzirá, fazendo-o concluir sobre qual o rumo ou estudos que lhe serão necessários para sua formação integral.

             A imaginação do jovem muitas vezes surpreende os adultos, pela rapidez pela qual se processa, pela certeza da coerência de suas idéias e de que seus sonhos poderão virar realidade nesse mundo em constante mutação onde ele nasceu e quer se incluir em sua totalidade.

Princípios a serem observados na oferta e desenvolvimento do ensino


                     10 - Valorização da experiência extra-escolar.

        É importante para o sucesso da aprendizagem que seja aproveitada a rica experiência extra-escolar do aluno. Aliás, para se aplicar um ensino contextualizado, em que os conhecimentos abordados atraiam o aluno, deve-se partir mesmo dessas experiências  que ele traz de casa , da vida, de seu mundo fora da escola.

         Um ensino desvinculado da realidade do aluno, em termos de nível social e econômico, de relações comunitárias e familiares, do lazer que lhe é possível, do  trabalho no qual  almeja se engajar, de seus talentos que o fazem crescer fora da escola, das possibilidades de sucesso que ele prevê possa atingir, não é demais repetir, não será profícuo. Ao contrário, o assustará, cansando-o e provocando sua  evasão e abandono dos estudos, ao passo que,  ao valorizar suas experiências fora da escola, haverá um maior estímulo a seu interesse pelo conhecimento a ser trabalhado pelo professor, que poderá transformá-los em base sólida para futuras aquisições de conhecimentos.

          Sobretudo, essa valorização é imprescindível quando se trata de Educação de Jovens e Adultos que trazem consigo enorme cabedal de conhecimentos, adquiridos na prática, ou informalmente, pela observação ou pela vivência, nos ambientes de trabalho, nas ações culturais e na aprendizagem informal

            O ponto de partida do professor estará obrigatoriamente baseado nas experiências dos alunos

Princípios a serem observados na oferta e desenvolvimento do ensino


           9 - Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino



        Como sabemos, o estado brasileiro tem a dimensão de um verdadeiro continente, tanto no que diz respeito a sua extensão  quanto a seu contingente populacional.

       Não é impossível, mas extremamente difícil, o estado arcar sozinho com a educação no país. Neste ponto, merece destaque a importância das escolas privadas que assumem o papel do estado na responsabilidade pela educação. Seu número é relevante, sobretudo nas grandes cidades e elas estão embasadas no princípio anterior que admite a pluralidade de concepções pedagógicas e a liberdade de ensinar.

        A problemática que se apresenta com relação a essas escolas privadas tem a ver com a desigualdade econômica e social de nossa sociedade, onde há indivíduos que não têm opção de escolha entre as instituições públicas e privadas, como já se disse acima, por serem parcos os recursos próprios que não permitem às famílias arcar com as despesas inerentes ao ensino privado.

         Presentemente, já vêm sendo desenvolvidas políticas públicas tentando remover esse empecilho material, como, por exemplo, o sistema de cotas nas universidades e as bolsas de estudo do Prouni.  Mas são políticas afirmativas que contemplam na maioria das vezes o ensino superior.

         Embora o Brasil esteja com  quase toda população  já cursando as etapas iniciais do ensino básico, um percentual significativo não consegue vencer o Ensino Médio.

          Não há planos para estímulo à matrícula no Ensino Médio, pois são eles de caráter social; é nessa faixa de idade em que deveriam estar cursando esse nível que os alunos partem em busca de empregos para não ouvirem, no mínimo, dos pais, “ não quererem vagabundos em casa”,   e “vá trabalhar para ter seu dinheiro próprio porque o nosso não chega para sustentar marmanjos”. E observe-se que essas frases não são privilégio das classes menos abastadas, sendo ouvidas no interior de lares de classe média, também, sobretudo se os jovens apresentam dificuldades na aprendizagem e não conseguem passar de ano ou concluir a etapa.


Perincipios a serem observados na oferta e desenvovimento do ensino


6  Gestão democrática do ensino público



        Não é raro se pensar que a gestão democrática aqui recomendada se resumiria a eleições de diretores de estabelecimentos de ensino. Entretanto, a gestão, mesmo não democrática, abrange na educação um campo muito mais amplo que o das eleições.

       Quando democrática ela envolve sobretudo a participação de todos da escola, em suas atividades de planejamento e execução,  na formulação de seus objetivos, na avaliação permanente de seu alcance, através da análise constante do cumprimento do Projeto Pedagógico  - também construído por todos que militam na escola, bem como pela comunidade escolar e o Conselho Escola-Comunidade -  levantando-lhe os pontos a serem reformulados e adequando-os ás necessidades surgidas; nas melhorias que devem ser efetuadas no prédio escolar, incluindo a aquisição de bens móveis e imóveis imprescindíveis para o bom andamento dos trabalhos escolares.

        A Gestão Democrática presume também o controle dos recursos financeiros recebidos pela escola e sua boa e correta utilização. É presença na escola em todas as situações.

        A apresentação dos temas poderia se valer do lúdico, com leituras comentadas de algumas situações que para isso se prestem, com jogos criados pelo próprio professor   e ensaio ou apresentação de peças de teatro e outras manifestações culturais com a participação dos alunos, como atração para os pais ou responsáveis.

        Muito se tem lutado pela qualidade do ensino. Têm sido ofertados aos professores alguns cursos de treinamento, de capacitação e até mesmo de formação, com objetivos claros

       A presença em Congressos e Seminários, porém, não é facilitada pelas autoridades e pelas escolas. Os que comparecem aos treinamentos e a outros eventos costumam não multiplicar o que ouviram ou aprenderam aos demais colegas ausentes. Não há tempo pois urge que as matérias do currículo escolar, devem ser completadas

          Terminados os eventos, passa a reinar  um silêncio profundo sobre o evento. Cai tudo no esquecimento. Não há planos para pôr em prática  o que de novo foi comentado, nem para se discutir conjuntamente a matéria.

       Por outro lado,custa-se a a crer que em algumas regiões do Brasil ainda vêm sendo ministradas aulas por professores sem qualquer formação, os chamados professores leigos.

         Por ocasião da edição da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, causou enorme confusão a exigência da licenciatura aos professores, no caso da abolição dos Cursos Normais, em nível médio.Mas alguns continuam a funcionar.

        Anda-se discutindoe muito os currículos dos cursos de formação de professores, como responsáveis pela sua má-formação. Mas talvez o principal entrave esteja nos currículos de todos os cursos de todos os níveis, acadêmicos, entulhados de saberes ultrapassados, sem qualquer ligação com a vida real do aluno de hoje. Tais currículos tendem a alimentar o caráter eliminatório dos vestibulares ao nível superior e a apressar a evasão de alunos da educação básica.

         Pode-se afirmar que o padrão de qualidade se apresenta quando se sente principalmente estar diante de uma escola moderna, onde alunos aprendem a pensar e a refletir chegando a suas próprias conclusões, com relação às quais têm ânsia por colocar e debater  com os seus professores e colegas.

         Isso só será possível quando se levar em consideração o contexto de vida do aluno e quando o professor entender com clarividência a necessidade de dar voz ao aluno, escutando com atenção seus argumentos sobre assuntos postos em debate.


Princípios a serem observados na oferta e desenvolvimento do ensino


5-  Valorização dos profissionais do ensino



                  São assegurados planos de carreira para o magistério  público com piso salarial e ingresso na carreira do magistério somente através de concurso público de provas e de títulos, como forma de valorização da classe.

              Mas cada vez que surgem novos planos são eles motivo de manifestações contrárias da comunidade, posto que nunca atendem aos anseios dos professores nem lhes restituem as perdas salariais prometidas há anos. E as greves de professores e mesmo do pessoal de apoio surgem de tempos em tempos.

            O que se observou também até agora foi a impropriedade de se pensar, somente, em professores de 40 horas, pois a maioria exerce suas funções na educação básica  num regime de 22 horas, devido à dificuldade de se implantarem cursos funcionando em escolas de tempo integral no país inteiro Assim, não foram agraciados  professores que trabalham nesse sistema.Há que se inventar uma equação justa para fixar seu piso salarial.

          Os profissionais do ensino público, de qualquer nível, em nosso país, já se sabe , não são valorizados, percebendo baixíssimos salários Para se manterem, se vestirem adequadamente, escolherem o tipo de condução que lhes seja mais confortável para ir e vir e lhes permita tempo necessário para sua locomoção, o que recebem é insuficiente, não basta, é mínimo, e assim eles se vêem obrigados a tentar complementar seus salários ministrando aulas em vários estabelecimentos de ensino. Instala-se uma correria desenfreada porque o professor sabe que é na rede privada que ele tem oportunidade de crescimento pessoal e que vale a pena se esforçar e se aprimorar para ser bem retribuído.

          Seus horários apertados não lhes permitem realizar outros cursos que poderiam ajudá-los no aperfeiçoamento de sua formação Não têm a sua disposição material didático e de pesquisa suficiente para melhor elaborar suas aulas. Nem sempre têm voz para expor seus pontos de vista, suas idéias próprias, sua criatividade quanto a novas propostas, suas experiências bem sucedidas às autoridades locais e assim nunca são ouvidos

          Também são muitas vezes desprotegidos, quando têm exercício em áreas de difícil acesso ou de violência criminal. 

        O governo deve atentar para o fato de que a valorização do professor pode se efetivar de diferentes formas, não se resumindo ao salário, merecendo ser citadas: favorecimento de condições para realização permanente de cursos e treinamentos em serviço, com o fim de mantê-los atualizados, sem restrições à idade, ao tempo de serviço, à natureza de sua formação, ao nível em que trabalha e ao seu horário de trabalho. O que significa que ao professor deve estar garantido um tempo especial, somente seu, para complementar sua formação ou aprofundar-se num ou em mais aspectos que lhe parecessem importantes, colaboração real de melhores condições de trabalho com melhores escolas sob o ponto de vista de sua estrutura física, com espaço suficiente para alunos, sendo limitado seu número em cada sala.

,        A licença para o professor se afastar, no serviço público, por um período pré-determinado, mas remunerado, para realizar estudos em cursos específicos é geralmente concedida quando requerida pelo interessado sem ônus para o estado. O resultado é a ausência de aperfeiçoamento do professor pela falta de condições materiais e financeiras. Aqueles que podem, exoneram-se, esvaziando cada vez mais os quadros do estado. Sabe-se que há carência de docentes de algumas disciplinas, na rede pública. A iniciativa que vem se iniciando de instituir-se um intercâmbio com sistemas estrangeiros é bastante eficaz e só trará efeitos positivos à educação.

.                  Como os estados mais pobres poderão arcar com a despesa das escolas de tempo integral, sem a ajuda efetiva do governo federal?   Quantas obras serão necessárias? Onde acomodar alunos que somente caberiam dentro em um turno  em um horário integral? Usar o contraturno somente para atividades físicas ou lúdicas, nada acrescentará São situações a serem equacionadas pelo governo federal.

         Não concordo que horários de aulas excedentes sejam preenchidos, como horário integral, não havendo aulas. O que se vê, em geral, no cantra-turno, são alunos desocupados, organizando brincadeiras que completem o tempo exigido.

        Por quê o estado brasileiro não legisla com base em dados reais? Até quando se vai sonhar, pensando que o povo é incapaz de descobrir por baixo da letra das leis o engodo que se pretende instituir?

       Só na área federal há  professores com salários mais condignos.

          O professor somente ingressa no serviço púbico através de concurso de provas  - como acontece com as demais carreiras -  e de títulos. A ordem de chamada respeita fielmente a classificação dos candidatos e as áreas por eles escolhidas, tanto físicas como as cognitivas.

         O que vem criando muitos problemas para o bom funcionamento da educação é o surgimento de contratações provisórias presentes em alguns sistemas, devido à carência de professores para algumas disciplinas. A estratégia é lucrativa para esses governos que os contrata nos termos da CLT, mas devido ao  prazo que vige o contrato, seus direitos são mínimos. Sua contratação prejudica os concursados que estejam em fila de espera, já que os concursos têm validade de tempo variada.

         Considerando-se que a validade do Plano Nacional de  Educação já se expirou, a Comissão designada (CONAE- Comissão Nacional de Avaliação da Educação) para formular as alterações necessárias para o novo Plano tratou com cuidado a situação dos professores e de sua formação.             .

       “Formação e Valorização dos Profissionais da Educação” foi o tema de um dos seis eixos debatidos na primeira Conferência Nacional de Educação (Conae).

      A discussão sobre o piso salarial nacional, aprovado recentemente, ainda renderá muitas discussões , pois estados e sobretudo os municípios não dispõem de capital necessário para fazer frente ao novo piso A necessidade de ao menos “assegurar o cumprimento do piso salarial profissional nacional com plano de carreira no setor público”  foi uma das deliberações aprovadas no CONAE..

Mais do que isso, seus participantes aprovaram determinado piso, com a carga horária máxima de 30h semanais de trabalho,  e com, no mínimo, um terço de atividades extraclasse. Presentemente, já em 2012, a presidente do Brasil, cedendo ás pressões dos diversos segmentos interessados, concedeu aumento do Piso Nacional.
   Será, entretanto, imprescindível que as demais conclusões da CONAE sejam incorporadas ao Plano Nacional de Educação em análise no Congresso Nacional.

Idéia recentemente abordada refere-se à  possibilidade de se instituir a avaliação de professores, para ter-se idéia do seu real preparo para docência.

Também, não será absurdo que o piso dos professores seja diversificado, regional, como o é o salário mínimo dos demais trabalhadores.Muitas variáveis poderiam ser consideradas para o estudo dessa proposta.      .

             

terça-feira, 6 de março de 2012

princípios a serem observados na oferta e no desenvlvimento do ensino

4- Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.

 É eminente que a obrigatoriedade de oferta de ensino público gratuito e de qualidade pelo estado seja continuamente ampliada para a universalização da educação. A qualidade do ensino é fator preponderante, devendo ser buscada por todos os educadores, e pelos órgãos da educação, dependendo também do esforço para  se aplicarem  mais recursos.

         Por outro lado, outras medidas se evidenciam levando ao desenvolvimento de diferentes ações capazes de atrair os alunos, evitando a evasão escolar.O princípio obriga-nos a relembrar que, em quase todo o mundo civilizado, o ensino básico é público, oficial e gratuito, abrangendo no mínimo todo um período de estudos correspondente à nossa educação básica. A participação da iniciativa privada é insignificante e bem dispendiosa. É bem verdade que no Brasil alguns clamam por um ensino superior público pago, considerando a clientela de elite que o frequenta. Mas se poderia estabelecer que ele só seria gratuito para os que não tivessem realmente recursos. Quanto aos ganhos conseguidos com o pagamento daqueles que deles dispõem, os mais bem aquinhoados, seriam eles encaminhados para outras áreas da educação que apresentam necessidades mais prementes.

           De qualquer forma o governo apóia o aluno sem recursos concedendo-lhe Bolsas de Estudos, mediante acordos com escolas privadas, como veremos adiante. (PROUNI –Programa de Universidade para Todos)