sábado, 3 de março de 2012

Princípios a serem observados no desenvolvimento do ensino



          3 - Pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas.



          O princípio, como outros, está presente nos dispositivos constitucionais.

          No campo educacional, vasta é a literatura concernente ao pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. A matéria vem sendo permanentemente abordada por professores e pedagogos com base em teorias surgidas, desenvolvidas e comprovadas por , educadores,sociólogos e psicólogos que têm emprestado rica contribuição ao campo educacional.

         Diante disso, vale lembrar a relevância da atualização constante do professor, que precisa estar sempre refletindo e revendo suas concepções e se atualizando quanto às novas teorias, tornando sua  praxis realmente atualizada, responsável e efetiva. À escola e aos órgãos da educação cabem iniciativas neste sentido.

         Acentua-se, evidentemente, a necessária interligação entre o ensino superior desenvolvido nas universidades e os demais níveis de ensino. O próprio estado deve propiciar esse entrosamento e cuidar, sobretudo, para que a universidade possa cumprir seu papel primeiro, de construtora e divulgadora do conhecimento elaborado.      

O setor educacional, diante do grande número de analfabetos, inclusive funcionais, das crianças e jovens que ainda estão fora da escola e dos maus resultados dos alunos nas avaliações previstas na Constituição, apesar dos estudos existentes, ainda não chegou a conclusões sobre quais concepções pedagógicas devem prevalecer,ou se devem elas se interligarem, nem quais seriam as melhores, mais produtivas e efetivas.

 É claro que cada sistema poderá adotar as que mais lhe convenham e que estejam em conformidade com a ideologia da escola. Citamos como exemplos: a implantação mais forte do ensino a distância, que, se desenvolvido de forma séria e incorruptível, poderia trazer muitos benefícios diante da enorme clientela que dele se beneficiaria, com os recursos tecnológicos atuais; a escola sem séries ou estruturada em níveis; as vantagens e desvantagens da escola organizada em ciclos que exige, é claro, preparação específica do professor; as alterações necessárias dos  currículos dos cursos, principalmente, os de  formação de professores,  que não conseguem acompanhar a evolução rápida da tecnologia e também para que sempre busquem a qualidade de seu ensino; a aplicação mais planejada da informática na educação; os novos conhecimentos surgidos com o progresso tecnológico que induzem à aplicação de novas metodologias;a força da  escola realmente inclusiva; as experimentações com escolas bilingues e com currículos diversificados e mais leves; e a real contextualização das experiências escolares de forma que permitam a conservação e confirmação da identidade do aluno e a modernização de suas concepções.

        Com relação à organização em ciclos, deve-se lembrar que a progressão continuada, tão discutida no Brasil inteiro, elogiada por uns e criticada por outros, foi adotada no século passado por Paulo Freire, quando Secretário de Educação na prefeitura de São Paulo. Aliás, é uma metodologia que já foi empregada no Brasil desde o início do século XX  1918)

Sua idéia era que repetir o ano seria sujeitar o aluno à vergonha de ficar um ano atrás de seus colegas de turma. Pesquisas mostram que o aluno que passa pela repetência tende a repetir a situação de fracasso nos próximos anos de vida escolar.

Porém da experiência de Paulo Freire em São Paulo até a "aprovação automática" há uma grande diferença. A progressão continuada não pode ser a simples promoção do aluno de uma série à outra. Entre um ciclo  e outro existe, pelo menos um ano escolar. Neste ano as escolas precisam  adotar estratégias e projetos pedagógicos eficientes para reforço da aprendizagem

Matheus Prado (2011) afirma que é da confusão de Projetos Pedagógicos com as chamadas Grades Curriculares que decorrem essas distorções.

          ”Ao invés de estabelecerem estratégias, além de implantá-las e avaliá-las, para a formação de alunos cidadãos, capazes de intervir na sociedade e com 'fome' de conhecimento, os governos tendem a definir a quantidade de conteúdos que devem ser depositados nos alunos. A educação bancária, na qual ao aluno só cabe escutar e decorar,   é  mantida. Aqueles que costumamos achar que obtêm mais sucesso escolar conseguem lembrar dos conteúdos até  dia do vestibular. E só”

A progressão continuada,  continua Prado, para apresentar resultados positivos exige uma série de estratégias pedagógicas. Os alunos, todos, não só os que apresentam dificuldades, precisam experimentar intervenções psico-pedagógicas constantes, a cada dia. Eles, professores, pais e dirigentes necessitam bem compreendê-las. A escola, mais do que qualquer outro setor da sociedade, tem como obrigação entendê-las bem como observar as características individuais do alunado. Devem ser consideradas e levadas a sério, portanto, as diferenças existentes entre as capacidades de aprendizagem de cada aluno e as diversas experiências.O contexto em que vive o aluno deve sempre estar focado.

Certos cuidados são necessários para melhor sucesso da estratégia, alerta o articulista (Internet):

          1- A organização da escola não deve se estruturar em torno dos melhores alunos, os bem sucedidos. Os demais, não preparados, com baixos resultados, não devem permanecer marginalizados.

           2- A escola valoriza apenas um tipo de inteligência, desconsiderando todas as demais. Os conteúdos da “grade escolar” vêm antes, são mais importantes que  a inteligência especial, emocional ou a capacidade de resolver problemas práticos e cotidianos.

 3-. Por último, e talvez de forma mais grave, as escolas ainda avaliam os alunos, não levando em conta as diversidades. Todos os alunos não são iguais em termos cognitivos,físicos e emocionais.

 A melhor forma de avaliação é aquela que considera o ponto onde o aluno estava e onde ele chegou no transcurso de um período de aprendizagem. Um aluno com nota 8 durante toda a vida escolar pode ter nota maior, mas não agregou mais em seu processo pedagógico do que outro que tinha 3,  passou para 4 e chegou a sete.

”O problema real está no que se faz entre os ciclos programados. Nossa escola, não está preparada para receber alunos que não atendem às expectativas do "programa" e da "grade curricular" comuns a todos.

Programas e as estratégias pedagógicas devem variar para atraí-los.

          Mesmo com toda a dedicação e esforço dos professores, podemos dizer que muito pouco do que se faz na escola tem a ver com educação e com a realidade dos alunos. Os vestibulares e os vestibulinhos acabaram incentivando as escolas a agirem dessa forma: uma  grande quantidade de conteúdos que não servem para nada e que serão, em sua maioria, e rapidamente esquecidos pelos alunos.  Provavelmente, alguns de nossos reitores e professores das universidades públicas não passariam no vestibular hoje, porque aí é cobrado muito conhecimento que se pode chamar de descartável, daqueles que você aprende para entrar na universidade e nunca mais lembra ou emprega.

        Porém, é preciso concordar que as questões dessas provas vem tendo uma excelente evolução, exigindo menos “ decoreba” e mais reflexão. Mas ainda se apresentam cheias de vícios.

         A iniciativa de fazer uma avaliação semestral e centralizada de todos os alunos da rede públicas até pode indicar para as escolas e secretarias de educação aqueles que mais precisam de acompanhamento. Será um avanço, desde que a educação adote a perspectiva de que nas avaliações é preciso considerar onde o aluno estava e onde ele chegou, tendo um programa que valorize as várias inteligências e talentos e que sua "grade curricular" defina um conjunto de conteúdos mínimos condizentes com as necessidades de nossos alunos, com o mundo moderno e com a vida em sociedade. Esse conteúdo deve ser útil ao aluno bem como estar em seu contexto de vida

Regina de Assis, ex-Secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro, em entrevista dada à Folha de São Paulo, defendeu a idéia de que o sistema de ciclos deve ser adotado permanentemente por escolas públicas e particulares, principalmente nos primeiros anos do ensino fundamental. Especialmente no início da vida escolar, durante os cinco primeiros anos do fundamental.

“Nessa fase, o processo de leitura, escrita e cálculo, além das    outras áreas do conhecimento, está numa fase crucial, que depende da      compreensão   mais   abstrata de conceitos e   que   pode   exigir   um tempo variável para a sua consolidação. Sou favorável
à política de ciclos de maneira permanente, desde que planejada, introduzida, desenvolvida e avaliada responsavelmente e com eficiência, para garantir os direitos dos estudantes de aprender e dos professores de ensinar com sucesso”. (janeiro de 2011)

         O cerne dos problemas enfrentados pela progressão continuada não está na estrutura em ciclos nem na aprovação dos alunos, comenta Hélio Shwartsman, articulista da Folha de São Paulo:

         “No papel, o sistema faz sentido. Se há algo de estranho no mundo da pedagogia, ele está na noção de reprovação. Com a redução da reprovação possibilitada pelos ciclos, caiu o índice de Evasão Escolar no Ensino Fundamental... É muito mais razoável, como prevê a
teoria da progressão continuada, que a Escola identifique tão rapidamente quanto possível os alunos que não estão assimilando os conteúdos e
procure corrigir a situação”.

A implantação do sistema de ciclos necessita sempre ser planejada junto com os professores, que devem estar preparados para assim trabalhar e conhecer suas vantagens. É urgente que pais e professores entendam por que se quer evitar a reprovação, que não pode se constituir em ferramenta disciplinar.
Na prática, lamentavelmente,a progressão virou uma aprovação automática que, embora não explique as deficiências do ensino, ajuda a perenizá-las.

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