segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Por quê Estudos do Futuro?






           Estudos do Futuro
       Muitos estudiosos, preocupados com a vertiginosa velocidade dos progressos tecnológicos e de seu forte impacto em nosso mundo, já estão imaginando como será a vida nos próximos séculos e, por causa disso, procedendo a estudos específicos que levem a conclusões sobre quais deverão ser as ações mais corretas e efetivas do homem para se adaptar e readaptar a esse mundo em constante mudança.
       A primeira conseqüência daqueles fenômenos - se é que este termo se ajusta à  situação- é que a humanidade terá que muito refletir, não bastando o conhecimento daquelas tecnologias, que aliás, está
astante disseminado -crianças, jovens e adultos já as dominam com facilidade. 
      Já há filósofos do conhecimento que estudam a pós-modernidade e os efeitos da inteligência coletiva, como Morin e Pierre Devy, a qual permite o acesso de todos, através da internet, e o acompanhamento às novas conquistas tecnológicas, como efeito da globalização.
       O problema está em acompanhar de perto as necessidades que se apresentem e perceber ,a priori, o surgimento de novos avanços que venham atender  às conjunturas atuais -pois eles surgem continuada e repentinamente-  e de dimensionar seus possíveis impactos.
       Já alertava, Paulo Moura (1994) para a necessidade de se “estar preparado para adaptações e readaptações”, já que as transformações são inevitáveis, ressaltando o fato de “o Futuro não ser algo que simplesmente acontece”, não se constitui um fatalismo. O Futuro é uma construção humana.      Assim, o hábito de se pensar criticamente como se constrói o Futuro deve ser conservado e explorado, instantemente.
      Num primeiro momento, é preciso estarmos preparados para substituição de velhos conceitos e métodos,pelo que surgir de novo em todas as áreas de conhecimento
       Moura cita Aurélio Peccei que afirma convictamente ser a “invenção do Futuro a mais importante e mais difícil invenção do homem” E insiste que sua construção há que ser coletiva e participativa como a educação, acrescento eu.
       Com relação, ainda, à construção do Futuro, Moura divide com Mc Hale a certeza de que não se trata de construir um só Futuro, mas vários Futuros, devido a diversidade de hipóteses e conclusões.
        É importante ressaltar que as mudanças nem sempre são bem aceitas, como afirma Paulo Moura, porque geram ansiedade e medo, sendo muitas vezes rejeitadas por aqueles indivíduos que para elas não tenham se preparado .
        As mudanças sociais e culturais, por exemplo, no dizer do autor, se realizam mais lentamente e são menos duradouras.
         A Educação não pode se esquivar de considerar as circunstâncias aludidas, pois se queremos o homem atento para a aceitação no novo, é através dela que essa preparação virá, concluindo-se daí que os Estudos do Futuro podem realmente constituir valiosa ferramenta de trabalho.
         Aqueles que se dedicam  aos estudos referidos ou aos processos de mudanças devem se conscientizar, de acordo com Moura, de que “ o mais importante é a abertura pessoal de caráter interior, que nos torna aptos à aprendizagem permanente “ e como metáfora representativa de seu pensamento valeu-se dos versos de  Fernando Pessoa, os quais transcreveu em sua obra:
        “ O essencial é saber ver,
           Saber ver em estar a pensar,
           Saber ver quando se vê
           Nem ver quando se pensa.
           Mas isso (triste de nós que trazemos a   alma vestida!)
           Isso exige um estudo profundo
           Uma aprendizagem do desaprender”. 
       
          Atualmente, há vários grupos  em todo o mundo, dedicados a estudos e pesquisas sobre o futuro e que se relacionam globalmente, trocando continuadamente, dados coletados,opiniões e conclusões tiradas conjuntamente. 
          Esse compartilhamento é primordial para que se analisem as melhores e mais corretas decisões a serem aplicadas, no futuro, frente ao que ainda nos trará o progresso tecnológico. Em consequência disso, várias hipóteses mundiais de soluções estão sendo acompanhadas pelo Projeto Millenium, constituído para esse fim, e compartilhadas na internet ou em congressos . 
Ha questionários distribuídos entre os participantes do projeto que estão abertos a qualquer público que se interesse por aqueles estudos.
          Citam-se sérios problemas a se ultrapassar visando  um futuro melhor, em direção aos quais já se vão dominando certezas, como:
- crescimento excessivo da população mundial;
-esgotamento paulatino dos recursos existentes;-fatores responsáveis pelas alterações climáticas e suas conseqüências;
- abolição do terrorismo e combate ao crime organizado;
-erradicação da pobreza e da fome;
-sustentabilidade.
          Por outro lado, há fenômenos e situações que já estão batendo à porta e que exigem , no dizer de Moura, auto-organização de cada um, cooperação transnacional, uso de energias alternativas, conhecimento avançado da ciência cognitiva , da ciência de materiais, da biologia sintética, das possíveis e futuras formas de vida com a decodificação genética,da biologia computacional,com hipóteses de novos diagnósticos e curas, da biofísica computacional e simulação de forças entre os átomos, da engenharia computacional etc
      “ O mundo”, conforme o autor, tem recursos para enfrentar todos esses desafios. Só não se sabe se as decisões serão as mais corretas, rápidas e eficientes e na escala necessária."    


  


Referências bibliográficas
    Moura,Paulo. 1994. Construindo o futuro
    O Estado do Futuro 2011.  Projeto Millenium



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